O deus judaico-cristão não tem nada de bondade

Publicado: 15/12/2009 em Texto, Vídeos
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DEus é bondoso?

Faz parte do currículo do deus judaico-cristão a bondade?


 
Há muito tempo venho ouvindo perguntas sobre a concepção do deus judaico-cristão para os ateus. Não é de hoje que muitos ateus vem se manifetando contra a ideia de um deus como aquele mostrado pela bíblia. Os cristãosnão conseguem enxergar o que realmente os revela a bíblia, mas mesmo assim estes insistem em NOS chamar de cegos.

   É se fingir de cego aceitar a ideia de um deus bonzinho que os cristãos tanto pregam. Ver assassinatos coletivos, ações filicidas, homofóbicas, racistas, sadistas, egoistas e imorais não é nada agradável e nada bondoso para qualquer ser. Informo que essa análise é em base da ideia da maioria em crer que o deus do antigo testamento e do novo são um só, não enquadra nesta análise quando a concepção se passa por um politeismo disfarçado entre um deus do antigo e do novo testamento.

    Amar e defender são instintos básicos presentes em muitos animais, estes adquiriram estas defesas sentimentais para propagar as suas respectivas espécies. A defesa como máxima da sobrevivência está em grupos e coletivas de animais que se unem entre si ou a outros para sobreviverem de possíveis predadores que se intimidam com números grandes de indivíduos. O amor, de uma forma mais natural, possibilita a contribuição de um animal de espécies iguais a se ajudarem com detalhes mínimos ou de grandes proporções. Tudo isso foi adquirido por uma evolução lenta e gradual e não por saliva divina.

Compreender que alguém verdadeiramente nos ama está no fato de sentir que a nossa individualidade é respeitada e é importante para alguém. Além, é claro, de saber que o amor é a valorização do indivíduo em si e não por uma única qualidade ou por inúmeros defeitos. Olhando por esse ângulo, será que o deus judaico-cristão nos ama?

Eu diria de forma clara e em bom tom que não. O deus mostrado na bíblia, que representa o deus dos cristãos e judeus, mostra ações que vão contra qualquer cultura ou ideia de bondade possíveis. Podemos citar situações de inversidade da bondade de qualquer ser e que você encontra facilmente em qualquer conversa com um cristão ou até mesmo na bíblia, como:

  • Dilúvio, acontecimento em que toda a população mundial foi ASSASSINADA, não por seus atos individuais, mas sim por um coletivo. Neste acontecimento há a desvalorização do ser humano como indivíduo e sim como espécie coletiva e fantoches de algo maior.
  • Destruição de Sodoma e Gomorra, novamente há o desprezo e a ira por conta de ações que para tal deus eram erradas, a punição para estas pessoas foi coletiva e aterrorizante, bolas de fogo em crianças, jovens, adultos e idosos sem a maior preocupação com a individualidade de cada um.
  • Pragas egipcias, para mostrar o seu autoritarismo, o deus judaico-cristão manda 7 pragas ao Egito, incluinto o assassinato de crianças inocentes.
  • Profecias ameaçadoras e desvalorizadoras, além de supostamente ter feito muito, tal deus ameaça incrédulos, homossexuais, bêbados, “feiticeiros”, religiosos de outras crenças, entre outros a queimar em um lugar quente e torturante, denominado inferno.

As demonstrações de maldade e crueldade se encontram em evidência na bíblia. Todo aquele que assim desejar pode ver tais passagens e outras neste livro. E diante de tantas mortes, demonstrações de egoismo, homofobia, machismo, injustiça, imoralidade, incopaixão, destruição, vingança, sadismo e entre outros, pessoas se deixam levar por um egoismo cristão e AFIRMAM que estas ações de CRUELDADE foram para honrar o nome de tal deus e SALVAR a humanidade do pecado total.

Temos a capacidade de nos ajudar e nos amar mutuamente e isto não é graças a nenhum deus. Saber que somos bons ou indiferentes nos traz alegria por nossa individualidade e não por sermos vistos como ovelhas. É desumano acreditar que se existisse tal deus ele seria bondoso jogando pessoas em abismos de larva. Somos mais do que qualquer doutrina pode impor, aceitar a nossa singularidade como ponto de partida é glorioso para nós e para quem o faz.

Sabemos o que é bom ou ruim por nossos próprios sensos de moralidade, e com uma total certeza eu sei que cristãos não aceitariam que tamanha destruição fosse sinônimo de bondade para um outro deus, mas cegos pela fé irracional enxergam no deus judaico-cristão uma regressão ao estado infantil de comodismo.

Ilustrando:

Aprovar a escravidão é sinônimo de bondade?

E para fechar a série de vídeos:

Leia mais a bíblia, caro cristão. E análise de uma forma imparcial as ações do deus judaico-cristão.

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comentários
  1. Maik disse:

    Walison,

    Antes de tudo, quando falamos de Bíblia (com “b” maiúsculo, da mesma forma que Corão (ou Alcorão) se inicia com maiúscula e da mesma forma que Torá ou Constituição Federal também se iniciam com maiúscula – e não estou falando como cristão) devemos deixar bem claro que estamos tratando de uma questão bastante complicada chamada interpretação.

    Portanto, dizer que “os cristãos não conseguem enxergar o que realmente os revela a Bíblia” é, apenas, querer impor uma interpretação (dentre tantas outras sobre o mesmo livro) a pessoas que pensam de outra forma.

    Aliás, a interpretação bíblica é a grande razão da divisão dos cristãos em inúmeros grupos religiosos, cada um com suas próprias concepções de Deus, Cristo, Bíblia, vida, mundo etc. Daí, mais uma vez, a ideia de dizer que “os cristãos não enxergam a verdade” ser apenas mais uma forma de se interpretar um livro que, entre eles (os cristãos), é tido como sagrado.

    Com relação à ideia de o Deus do Antigo Testamento não ser o mesmo Deus do Novo Testamento (digo Deus com “d” maiúsculo não por ser cristão, mas pelo fato de que, embora este ser tenha, entre judeus, cristãos e muçulmanos, vários outros títulos, a palavra Deus, referindo-se a este ser, desde o início, sempre foi usada como nome próprio), essa ideia é parte de uma discussão antiga e polêmica (embora hoje fraca.). Mas sobre ela, digo o seguinte:

    – A Bíblia não é um único livro, escrito por um único autor; ela é, na verdade, um conjunto de livros (incluindo os do Antigo Testamento) escritos por diversos autores, os quais expressam concepções diferentes acerca de um mesmo e único ser, chamado Deus;

    – Já havia, pouco tempo após a morte de Jesus, cristãos que acreditavam na existência de dois deuses, um mau (que seria o do Antigo Testamento) e outro bom (o do Novo Testamento). Diziam que o mundo havia sido criado por uma divindade imperfeita (o Deus do Antigo Testamento) e que, por isso, não devíamos nos sentir culpados pelos males que existem. Mas deveríamos buscar o Deus bom (o do Novo Testamento), cujo enviado seria Jesus Cristo. Esses cristãos ficaram conhecidos como “marcionistas”;

    – Os cristãos, de um modo geral, acreditam que esta incoerência entre o Deus do Antigo e o do Novo Testamento é apenas aparente, já que os dois seriam o mesmo (e Jesus, sendo filho deste Deus, teria vindo ao mundo mostrar, com a própria vida, que os dois seriam, de fato, o mesmo e único Deus – e esse Deus teria sido bom desde sempre);

    – Os episódios bíblicos citados (Dilúvio, destruição de Sodoma e Gomorra, pragas do Egito etc) precisam ser relativizados, isto é, não podem ser tomados ao pé da letra (mesmo pelos cristãos), uma vez que estudiosos têm pesquisado os fundamentos de tais episódios e suas pesquisas lhes têm feito acreditar que, é possível, sim, ter acontecido um “dilúvio”, mas não nos moldes bíblicos (como se tivesse chovido 40 dias e 40 noites sobre o planeta inteiro) : uma enchente avassaladora, oriunda da conexão entre as águas do Mar Negro e as do Mediterrâneo, teria invadido a região da Europa Central e principalmente do Oriente Médio (há cerca de 7.500 anos); a catástrofe teria sido interpretada, ao longo dos tempos, como manifestação da ira dos deuses (no caso da lenda babilônica de Gilgamesh) e da ira do Deus dos hebreus (no caso do episódio da Arca de Noé); mas há historiadores que discordam dessa tese, dizendo ser as narrativas do Dilúvio apenas representações simbólicas da renovação após as chuvas, da mesma forma que, depois de uma grande enchente, o solo úmido fica mais fértil (ou seja, mais uma vez, voltamos à questão da interpretação); o mesmo raciocínio vale para a narrativa da destruição de Sodoma e Gomorra e para a narrativa das pragas do Egito (apenas representações simbólicas de como pode se manifestar a justiça divina, de acordo com a concepção de Deus que os judeus daquela época tinham);

    Desde o início, os cristãos, como um todo, nunca leram e interpretaram a Bíblia da mesma forma : nunca existiu, entre cristãos, até entre judeus e muçulmanos, a mesma concepção de Deus. Embora admitam que seu Deus é o mesmo, tais fiéis sustentam concepções diferentes acerca da bondade, da vontade e da justiça desse mesmo Deus.

    Não podemos julgar o Deus dos cristãos, judeus e muçulmanos pelos nossos próprios conceitos de bondade, maldade, justiça etc. Até porque, é consenso entre todos estes fiéis a noção de que a vontade e a justiça de Deus não são a mesma vontade e a mesma justiça humanas. É comum, também, entre muitos cristãos, judeus e muçulmanos, a crença de que os pensamentos de Deus, por não serem os nossos, são incompreensíveis e inacessíveis : daí estranharmos mitos como o do Dilúvio ou o das pragas do Egito. Daí, também, tais fiéis, diante da impossibilidade de explicar casos como estes, se renderem à máxima “Deus sabe o que faz” ou “Só Deus tem a resposta”.

    Mas, de um modo geral, os cristãos acreditam que Deus respeita o “livre-arbítrio” de cada um, não obrigando ninguém a segui-lo ou adorá-lo ( Jesus, por exemplo, dizendo-se filho de Deus, não forçou ninguém a segui-lo, mas apenas convidou dizendo “Quem quiser vir após mim” ou “Vinde a mim, todos os que …” ).

    Se, de acordo com não apenas muitos cristãos, mas, também, judeus e muçulmanos, Deus respeita o “livre-arbítrio” de cada ser humano, todas as desgraças do mundo (incluindo as catástrofes naturais) não sofrem intervenção divina justamente pelo fato de termos “livre-arbítrio” e estarmos exercitando este mesmo “livre-arbítrio” desde o início : daí termos ‘inventado’ desigualdades sociais; crimes de todas as espécies e, além de vários outros “feitos”, termos inventado, também, a poluição ambiental e a escassez de água potável. Ou seja, tudo o que temos feito, desde que descobrimos a vida, é tão somente acabar, lentamente, com as condições que favorecem a perpetuação da nossa própria raça (apesar de, ainda, sermos capazes de amar …). Isso é usar o “livre-arbítrio”, o direito de vivermos nossas vidas por nós mesmos.

    Assim, os cristãos, de um modo geral, acreditam que, se temos “livre-arbítrio”, a intervenção divina não acontece (a não ser na vida daqueles que a buscam), porque nós é que somos responsáveis por quase tudo o que nos ocorre.

    Enfim, embora seja cristão, procurei falar não como cristão, mas, como estudioso que procura entender o objeto do seu estudo : como ele pensa; por que pensa assim; qual a importância desta forma de pensar para sua vida etc (o objeto a que refiro são os próprios cristãos). Pelo menos é assim que procuram agir os chamados cientistas sociais ou do seres humanos (como historiadores, antropólogos, sociólogos e até psicólogos) : antes de querer convencer os religiosos de que sua fé é vazia, sem fundamento, procuram entender o porque dessa fé pra quem a possui; qual o significado dela em sua vida; como ela responde às suas questões existenciais etc.

    Não tenho, com essas palavras, a intenção de convencer nenhum ateu a acreditar em Deus ou em deuses, mas, apenas, levá-los a entender a importância da fé para aqueles que a possuem (e, é claro, dar a razão da minha própria fé) e que fé e ciência podem andar juntas (nem todas as religiões são contra as pesquisas com células-tronco, por exemplo, ou mesmo contra o aborto ou a eutanásia). A relação entre as duas é tensa, realmente, mas o diálogo é possível e tem sido estimulado.

  2. Taty Sputnik disse:

    Eu sinceramente preferia o Senhor do velho testamento, viu?
    Sei lá… é que a gente vê tanta coisa nesse mundo que dá um certo “asco” que a gente mal espera que o mundo logo acaba.

    Eu sou cristã, mas as vezes deixo meu lado cristão de lado quando vejo certas coisas acontecendo nesse mundo. Rs…

    Embora eu não concorde com o que vocês dizem, serei uma leitora do seu blog, se me permita. Eu gosto de conhecer outras idéias, outros pensamentos tanto de religiosos quanto não-religiosos, mas vai uma dica: cuidado com as generalizações, tá? ^^

    Beijos!!!

    • Seja bem-vinda, Taty.
      Claro que gostaria que você acompanhasse o blog. Apesar deste ter como público alvo ateus e agnósticos, cristãos são muito bem vindos aqui deste que compreendam que a liberdade de expressão é dada a todos.
      Fico feliz que goste de conhecer novas ideias, isso é um forte indício de sabedoria. Não uso de de generalizações, mas sim de apanhados circunstânciais (é claro que as vezes uma piadinha escapa, mas não é algo que se diga generalizador, depende da interpretaçãoi de quem o lê).

      Outros!

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