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Quando Nietzsche chorou

Publicado: 10/06/2010 em Resumo, Texto
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Filme: Quando Nietzsche chorou

Filme: QUando Nietzsche chorou

Muitos filmes são representações de um aspecto real ou de uma realidade psíquica, o que muitas vezes torna o indivíduo que assiste filmes um ser de análises amplas e de várias visões. Entretanto, assumo aqui que não gosto de assistir filmes, acho entediante e prefiro os livros.

Na última segunda, em função de um trabalho de filosofia resolvi selecionar como tema o filme “Quando NIetzsche chorou”, visto que este continha um pensador que muito me agrada. Assisti ao filme, me interessei e elaborei o seguinte resumo que compartilharei com vocês. Sei que para muitos, textos longos são cansativos e perdem o seu interesse, mas garanto que a leitura deste resumo, se não causar-lhes uma boa imagem, pelo menos o farão ter críticas ao filme ou a minha forma de resumir.

Confiram:

[O filme “Quando Nietzsche chorou” é uma interpretação cinematográfica da obra escrita do autor Irvin D. Yalom. Para melhor assimilação da ficção-histórica do filme dirigido por Pinchas Perry é interessante que o telespectador conheça um pouco da vida de Friedrich Nietzsche, o que torna o acompanhamento do filme mais seletivo e  . Na coleção “Grandes obras do Pensamento Universal” as obras do filósofo alemão contêm um breve resumo biográfico da vida de Nietzsche. Segue um trecho:

“Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em Röcken, Alemanha, no dia 15 de outubro de 1844. Órfão de pai aos 5 anos de idade, foi instruído pela mãe nos rígidos princípios da religião cristão. Cursou teologia e filologia clássica na Universidade de Bonn. Lecionou Filologia na Universidade de Basiléia, na Suiça, de 1868 a 1879, ano em que deixou a cátedra por doença. Passou a receber, a título de pensão, 3.000 francos suíços que lhe permitiam viajar e financiar a publicação de seus livros. Empreendeu muitas viagens pela Costa Azul francesa e pela Itália, desfrutando de seu tempo para escrever e conviver com amigos e intelectuais. Não conseguindo levar a termo uma grande aspiração, a de casar-se com Lou Andreas Salomé (uma bela mulher e inteligentíssima, atraia olhares de muitos cidadãos vienenses – O grifo é nosso), por causa da sífilis contraída em 1866, entregou-se a solidão e ao sofrimento, isolando-se em sua casa, na companhia de sua mãe e de sua irmã. Atingido por crises de loucura em 1889, passou os últimos anos de sua vida recluso, vindo a falecer no dia 25 de agosto de 1900, em Weimar(…)”

A sua grande influência na filosofia alemã diretamente para o mundo deu a Nietzsche um local de destaque na história da filosofia. Consciente da importância de relembrar a nossa sociedade sobre vida e (algumas) obra do filósofo, Irvin D. Yalon, publicou em 2000 uma obra de ficção-histórica, que levava como título o nome do que seria em breve um filme, “Quando Nietzsche chorou”. A obra se tornou Best-seller , criando um clima de discussão entre vários filósofos e psicólogos, no que repercute até hoje. O importante a ser analisado diante destas discussões é que, independente do ponto no qual o indivíduo se propõe a defender, o autor é bem claro ao se referir a sua obra como ficção-histórica, portanto não visa tirar créditos da prática psicológica criada pelo Doutor Joseph/Josef  Breuer e imortalizada pelo seu aluno Sigmund Freud, método catártico, e inseri-las na filosofia, o que este pretende é sem dúvida o levantamento e “ilustração” da passagem de Friedrich Nietzsche no consultório de Dr. Breuer e sua paixão enlouquecida por Salomé.

O filme lançado em 2007, com direção de Pinchas Perry veio popularizar a obra do autor Irvin D. Yalon, é claro que com suas modificações, e proporcionar ao público uma visualização cinematográfica do que o livro trouxe em suas páginas. Com uma rápida pesquisa pela internet encontramos diversas resenhas e sinopses referentes ao filme, entre elas, foi selecionado a do site de sinopses de lançamentos cinematográficos, AM vídeo locadora, que narra o seguinte texto sobre o filme:

“Baseado no best-seller e premiado romance de Irvin Yalom, o filme “Quando Nietzsche Chorou” conta a história de um encontro fictício entre o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (Armand Assante) e o médico Josef Breuer (Bem Cross), professor de Sigmund Freud (Jamie Elman). Nietzsche é ainda um filósofo desconhecido, pobre e com tendência suicidas. Breuer passa por uma má fase após ter se envolvido emocionalmente com uma de suas pacientes, Bertha (Michal Yannai), com quem cria uma obsessão sexual e fica completamente atormentado. Breuer é procurado por Lou Salome (Kather Winnick), amiga de Nietzsche, com quem teve um relacionamento atribulado. Ela está empenhada em curá-lo de sua depressão e desespero, assim pede ao médico que o trate com sua controversa técnica da “terapia através da fala”. O tratamento vira uma verdadeira aula de psicanálise, onde os dois terão que mergulhar em si próprios, num difícil processo de autoconhecimento. Eles então descobrem o poder da amizade e do amor.”

O Filme “Quando Nietzsche Chorou”, apesar de ser uma ficção, trás um informativo histórico de grandes personalidades da história da filosofia e da psicanálise. É um filme em que o telespectador é levado a se projetar no pensamento filosófico moderno e se questionar sobre a sua realidade. É impossível assistir ao filme e não se apaixonar com a necessidade da introspecção inerente a todo ser humano.

As obras de Nietzsche, como são ditas no início do filme, são feitas por pequenos textos e citações que unidos proporcionam uma obra completa sobre o referido título desta obra.  Entre as obras de Friedrich Nietzsche todas têm o seu lugar na escala de importância, entretanto, “O Anticristo”, “Assim falava Zaratustra”, “Crepúsculo dos Ídolos”, “Humano, demasiado humano” e “Para Além do bem e do mal” são obras que se imortalizaram na filosofia moderna. Em suas obras, Nietzsche fala de humanidade, sofrimento, amor, julgamento, justiça, existencialismo, o que são facilmente notados em suas citações mais curtas, como as que se seguem do livro “Aurora” e “Para Além do bem e do mal”:

  • “Não existem fenômenos morais, mas interpretações morais dos fenômenos.”
  • “Os advogados de um criminoso são raramente bastante artistas para utilizar, em proveito do culpado, a beleza terrível de seu ato.”
  • “O criminoso não está muitas vezes à altura de seu ato: ele o amesquinha e o calunia.”

Nestas citações percebemos a preocupação de Nietzsche com o “ser justiça”, o “ter justiça” e o “fazer justiça”. É certo que as análises do pensamento de Nietzsche muitas vezes se confundem com o que queremos que elas simbolizem, mas termos como moralidade, direito e criminalidade nos levam a nos aproximar do pensamento judicial.

  • “A vontade de superar uma paixão não é, em definitivo, senão a vontade de outra ou de muitas outras paixões.”
  • “A enorme expectativa no amor sexual e a vergonha dessa expectativa estraga de uma só vez na mulher todas as perspectivas.”
  • “A sensualidade ultrapassa muitas vezes o crescimento do amor, de tal forma que a raiz permanece fraca e fácil de arrancar.”

É evidente em Nietzsche uma transmissão do que hoje consideraríamos como machismo, principalmente no que refere no comportamento feminino, entretanto, ao julgarmos as condições do filósofo em relação aos seus pensamentos sobre a mulher, é importante que tenhamos em mente que o que talvez seja o nosso jogo moral não seja o do escritor e filósofo, além de uma análise histórica das condições pessoais e sociais daquela época e sua respectiva localidade. Mas, o que não deve ser negado é a preocupação de Nietzsche com a desestabilidade do homem ao ser lançar de forma irracional no amor.

  • “Ele não esquece nada, mas perdoa tudo.” – Então será duplamente odiado, pois envergonha duplamente, com sua memória e com sua generosidade.”
  • “A vaidade é o receio de parecer original; é, portanto, uma falta de altivez, mas não necessariamente uma falta de originalidade.
  • “Certo homem pode ser a consciência de um outro e isso é particularmente importante quando o outro não tem nenhuma.”

Em suas citações sobre humanidade fica evidente o destaque que o filósofo dá no que se refere ao “ser e não ser humano”. É impressionante, com mesmo no fim do século XIX Nietzsche consegue interpretar em seus pensamentos a situação na qual estamos todos sujeitos e a que todos recorremos. Suas análises sobre religião e moralidade deixam claro que, Friedrich Nietzsche era um filósofo na frente de seu tempo, e que as suas obras só seriam entendidas em gerações futuras, isso caracteriza o seu discurso futurista e ao mesmo tempo contemporâneo.

O filme “Quando Nietzsche chorou” ao transportar o telespectador para uma visão de época, é um convite explícito para que este veja a verdade e a ficção da obra, e que este convite também seja aplicado para conhecer a vida, a obra e o pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche.]

Aos que usaram de seu valioso tempo com este humilde resumo, gostaria que opinassem e comentassem sobre as suas considerações do filme ou de Friedrich Nietzsche em si.

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Senso de Justiça comum.

Senso de justiça possibilita as pessoas a pensarem e re-pensarem em seus atos com suas respectivas consequências.

Ultimamente, andei observando um pensamento de Nietzsche que me chamou muito a atenção. Este se refere ao fato de desumanidade que fazemos ao ignorar a ação negativa de uma pessoa. Estou me referindo a frase: “É desumano bendizer aquele que nos amaldiçoa.”

Essa citação, de certa forma polêmica, coloca em questão a nossa concepção de humanismo e perdão. Somos sensíveis quando tocam em nossos pontos de fragilidade social e pessoais, a nossa reação de vingança é institiva. Saber assimilar o poder de uma punição pessoal é uma necessidade para qualquer relacionamento humano, oferecer a outra face quando apanhamos não é nada normal ou símbolo de humanismo.

Aqui não se entra com o verbete de “olho por olho e dente por dente”, mas sim ao grande ensinamento que podemos repassar ao demonstrar o quão tal atitude é negativa. Quando demonstramos que estamos magoados com certa atitude, de uma forma bem certeira consiguimos colocar a reflexão no indivíduo que o fez. Mostrar que não gostamos ou o que não se deve fazer é deverás uma ação solidária, e aplicar as devidas penalidades é uma justiça para todos, tanto para o mau feitor como a vítima.

Não estou falando de um ciclo vicioso de vinganças, mas sim de ensinamentos e de balanças morais. Quando ignoramos uma ação negativa de alguém o ciclo vicioso de falhas prossegue e assim surge o que chamamos de maldade. Colocamos aqui a questão de maldade ser definidade como uma corrente ou um filho travesso que cresce e não se nasce por si só, de uma forma espontânea e não por desígno de criações sobrenaturais.

Usar de bom senso e coerência quando somos magoados ou atacados é algo louvável. Usando de uma leve brisa de ensinamento circunstancial damos honra ao opressor, por não ser ignorado por suas ações e suas falhas, e ao oprimido, por ter os seus “direitos” reclamados. Tal postura de encarar ações com consequências é um passo a ser educado e aprendido por todos e JAMAIS deve ser usado como postura de opressão vingativa ou grau de malevolência.

Com um senso de justiça trabalhado e disponibilizado a todos os cidadãos, uma diferença no comportamento político seria de forma espontânea. Políticos diante de uma multidão capaz de julgar de forma racional seriam menos “políticos” e mais cidadãos. Pessoas diante de pessoas que sabem julgar seriam menos hipócritas e concerteza mais humanas.

Ignorar uma ação NUNCA é solução. Saber como medir as ações com suas consequências é algo sábio que todos podemos aprender, desde que o bom senso caminhe conosco durante tal iniciativa.