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Moisés - O super-heroi doado pelo judaismo.

Herois são peças raras no meio da multidão. Trabalhos heroicos são vistos constantemente em noticiários, são geralmente feitos por profissionais que zelam pelo bem público ou pessoas solidárias que lutam pela igualdade social.

Um ato de heroismo pode ter uma repercussão gigantesca, além, é claro, de proporcionar um bem enorme. Apesar da satisfação que o heroismo NATURAL proporciona, há a necessidade da criação do Super-heroi que tem como finalidade exaltar um povo ou ainda inferiorizar outro. Um super-heroi bem construido pode garantir o sucesso da manifestação de uma ideologia, grupo ou religião. O exemplo de super-heroi que venho divulgar para abertura desta seção de introdução, com auxilio de passagens do livro “Moisés e o monoteismo” de Sigmund Freud, é Moisés.

Independente de qualquer religião é inegável que a história de Moisés, “o fundador do judaismo”, é deverás maravilhosa. Atravessar o Nilo em uma cesta quando ainda era bebê, ser encontrado por uma família real, se tornar rei e realizar outros feitos heroicos (ou seria super-heroicos?) é impressionante. Mas, toda essa agitada história é construida para exaltar o personagem Moisés, que possui deste a tradução do seu nome a mentira estampada.

Para explicação da etimologia do nome Moisés, transcrevo a seguir uma passagem explicativa do dito livro de Freud, Moisés e o monoteismo:

“(…)a informação contida no segunda capítulo do livro de Êxodo já fornece uma resposta. É-nos dito aí que a princesa egípcia que salvou o menininho abandonado no Nilo deu-lhe esse nome, fornecendo-se uma razão etimológica: “porque das águas o tirei” (ou retirado das águas). Essa explicação, contudo, é claramente inadequada. “A interpretação bíblica do nome como ‘ o que foi tirado das águas'”. Argumenta um autor no Jüdisches Lexikon, “constitui etimologia popular, com o qual de início, é possível harmonizar a forma ativa da palavra hebraica, pois “Mosheh” pode significar, no máximo, apenas ‘o que tira fora’. Podemos apoiar essa rejeição por dois outros argumentos: em primeiro lugar, é absurdo atribuir uma princesa egípcia uma derivação do nome a partir do hebraico, e, em segundo, as águas de onde a criança foi tirada muito provavelmente não foram do Nilo.”

Como puderam notar, a preparação de um super-heroi deve ser altamente modelada em caminhos de dificuldades e de sorte (ou ajuda divina) para que o indivíduo já inicie a sua história como um vitorioso, já que este conseguiu sobreviver e os próximos passos de sua vida, provavelmente serão dificieis.

Sigmund Freud também aplica um quadro que engloba o perfil de um possível super-heroi, geralmente estes são seguidos de uma receita idêntica e com pequenas diferenças para não levantar suspeitas as classes intelectuais mais acomodadas. Veja o perfil de super-heroismo proposto por Freud:

“O heroi é filho de pais muito aristocráticos, geralmente, filho de um rei.

“Sua concepção é precedida por dificuldades, tais como a abstinência ou a esterilidade prolongada, ou seus pais tem de ter relações em segredo, por causa de proibições e obstáculos externos. Durante a gravidez, ou mesmo antes, há uma profecia (sob a forma de sonho ou oráculo) que alerta contra o seu nascimento, que geralmente ameaça perigo para o pai.

“Como resultado disso, a criança recém-nascida é condenada a morte ou ao abandono, geralmente por ordem do pai ou de alguém que o representa; via de regra é abandonado às águas, num cesto.

“Posteriormente ele é salvo por animais ou por gente humilde (tal como pastores) e amamentado por uma fêmea de animal ou por uma mulher humilde.

“Após ter crescido, redescobre seus pais aristocráticos depois de experiências altamente variadas, vinga-se do pai, por um lado, é reconhecido, por outro, e alcança a grandeza e a fama.”

Um perfil ímpar e que com leves alterações criam uma imagem de um ser humano perfeito e digno de ser seguido por toda uma nação. Os detalhes simbólicos apresentados na obra da história de Moisés são criados com uma pitada de mestre e com um valor de análise interessante.

Temos em questão, um berço no qual representaria o colo, a inocência e a ação de acolhimento do mesmo; o rio que corta de uma região a outra, a tranferência de modo de viver e de laços familiares é colocado em ênfase; e há também, a figura do pai como alvo de alcance de grandeza,  só poderá ser grande quando o humilhar ou mostrar-lhe o quão o super-heroi é maior que ele, ideia muito comum nas sociedades machistas, onde o macho é possuinte do poder e outro macho só se torna grande com a queda do líder pai.

Moisés, Sargão de Agade, Ciro, Rômulo, Édipo, Karna, Páris, Telefos, Perseu, Herácles, Perseu, Herácles, Gilgamesh, Anfion, Zetos e muitos outros, são o reflexo da necessidade de uma sociedade criar os seus herois e manter uma imagem heroica e grande do seu povo. Há muitos super-herois a serem refutados e o trabalho só está começando.

Esse artigo de introdução a “A fábrica de super-herois” será gradativamente postado e poderá haver textos intermediários entre um e outro com assuntos não relacionados. Textos menores e diretos são mais faceis de assimilação, portanto esta é a forma que escolherei para destacar os demais super-herois. Lembrando que o espaço de comentários está em aberto para dúvidas, perguntas, sugestões ou detalhes que fugiu a memória, com excessão de Trolls, todos serão respondidos a medida do possível.

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