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Entrevista ateista

Publicado: 03/12/2009 em Entrevistas
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Super entrevista com Vides Junior, Âsa Heuser e Marcelo Ronconi.

Fico feliz que muitos continuaram visitando o Ateu Ativo mesmo com a minha ausência. Tive uma ótima notícia na terça-feira (passei no vestibular, hehe) e a correria da situação me obrigou a ficar sem postar na quarta.

Desculpas à parte, ontem a partir das 17:30, aconteceu a primeira entrevista via MSN do blog e como introdução convidei 3 grandes personalidades do ateismo, Âsa Heuser, Vides Junior e Marcelo Ronconi.

Vides Junior é escritor, colunista do site da UNA e autor da série de vídeos ateistas, denominado Um ateu de Mau humor. Âsa Heuser é colunista do site da UNA e autora da série de vídeos ateistas, denominado Uma atéia de Bom Humor. Marcelo Ronconi é um dos diretores da UNA e divulgador do ateismo via orkut.
Motivados pelo desejo de mudança, essas três personalidades lutam e inspiram vários ateus a manifestarem os seus ideais, carregando fielmente a bandeira da luta Humanista, secular e naturalista.

Para a entrevista foram criadas 20 perguntas, curtas e claras, e cada um dos 3 entrevistados foram respondendo conforme uma ordem estipulada antes de dar início a entrevista. As respostas dos entrevistados serão divulgadas na íntegra, ou seja, da forma que eles responderam ao vivo.
A seguir, acompanhe as respostas de Âsa, Vides e Marcelo, uma oportunidade imperdível que merece destaque.

Âsa Heuser

Marcelo Ronconi

Vides Junior

1 – Como se tornou ateu/ateia?

Vides: Eu me tornei ateu por volta dos 16/17 anos, depois de ter tido uma formação cristã católica. Antes de me tornar ateu fui espírita, chegando inclusive a ser medium de um dos centros espíritas mais conhecidos da cidade de São Paulo. O ateísmo veio de forma natural, de repente, enquanto eu estava na praia filosofando sobre a vida….
. De repente, cheguei à conclusão de que tudo aquilo que eu via e sentia era fruto de uma evolução natural, e não de vontade divina. Confesso que o alívio que senti naquele momento é indescritível, como se um grande peso tivesse escorregado pelas minha costas.

Âsa: Eu tive duas fases, primeiro me tornei atéia aos 8 anos, quando desisti do deus que me ensinaram no Jardim de Infância. Os meus pais eram ateus, então isso não foi reforçado em casa. Depois eu tive uma fase de busca dos 20 aos 40, mas já era no sentido de deus=energia. Desisti depois de conhecer a STR e descobrir que os meus filhos tinham se tornado ateus.

Marcelo: A minha descoberta foi muito precoce, e intuitiva. Contava com apenas 14 anos, e ainda que estivesse em um colégio protestante, eu já questionava a professora de religião (pastora) sobre uma série de questões metafísicas. Ateu propriamente falando, não só cético, com a bagagem intelectual que exige, assumi por volta dos 17, já na faculdade de Filosofia.

2 – Como você analisa a situação do ateísmo no Brasil?
 Vides: Penso que o ateísmo no Brasil esteja caminhando para uma situação mais positiva. A despeito da grande influência da religião na política e na sociedade, graças a meios virtuais como o Orkut, Twitter, Youtube, dentre outros, estamos começando a nos unir e desenvolver associações e ações de conscientização que favorecem a despreconceitualização do ateísmo.
Mas ainda há muito que fazer para que possamos atingir o mesmo nível de militância de alguns países mais desenvolvidos.

Âsa: Ainda é um movimento disperso e um tanto caótico, mas está começando a ficar mais organizado e acredito que em poucos anos vai ser um movimento bastante forte e expressivo.

Marcelo: Eu não vejo essa exposição dos ateus (alguns diriam até “ousadia”) como um avanço. O ateísmo no Brasil é diminuto e dificilmente reverteremos este fato.

3 – Você é a favor de uma revolução ateísta?

Vides: De forma alguma. Para quê? Qualquer revolução que beneficie um pequeno grupo ou ideologia é um contra-senso á democracia e ao humanismo. Os ateus têm que comer muito feijão ainda, se quiserem o respeito da sociedade. Não é através de uma revolução, mas somente por meio da conscientização que vamos conseguir diminuir o preconceito.

Âsa: Não.

Marcelo: Não existe uma “revolução ateísta”.

4 – Você admira alguma personalidade famosa, escritor, pintor, músico , em especial? Quem?

Vides: Admiro muitos, e nem todos são ateus. Um dos escritores que mais admiro é o Noah Gordon, que é judeu. Os demais são músicos clássicos da antiguidade, cuja religiosidade não me importa.  

Âsa: Admiro várias pessoas, difícil escolher uma. Os que admiro é sempre porque são coerentes e honestos.

Marcelo: Em filosofia admiro muitos, alguns são deístas, outros são – se é que este termo merece destaque – “agnósticos”, enfim… nem todos são ateus como o francês Onfray. Nas artes é a mesma situação. Não ignoro ninguém por fé. Não temos amarras ideológicas, como no caso que vemos em alguns grupos religiosos, que só permitem a seus fiéis a leitura de livros assinados por representantes da própria
crença.

5 – O que a UNA representa para você?

Vides: Um sonho, um trabalho, uma esperança. Não por acaso, tenho dedicado grande parte do meu tempo à concretização da associação da União nacional dos Ateus, e tenho visto a mesma dedicação por parte de muitos outros ateus militantes. Acredito que a UNA seja a verdadeira mola que irá impulsionar o ateímo brasileiro à novas esferas.

 Âsa: A oportunidade de fazer alguma diferença em termos de diminuir o preconceito aos ateus e defender coisas como o Estado Laico e os direitos dos ateus.

Marcelo: Uma vanguarda. Pela própria tradição do nosso povo, a nossa história, o que a UNA representa cabe no conceito de vanguarda. E é uma vanguarda muito promissora, porque se propõe a objetivos concretizáveis.

6- Relate um preconceito que sofreu por sua escolha filosófica?

 Vides: Eu trabalhava como editor-chefe em uma editora que produzia um jornal segmentado. Meus dois chefes eram umbandista e católico, respectivamente. Fui mandado embora porque eles me criticavam pesadamente por ser ateu, não importando o quanto me dedicava à empresa. Para se ter uma ideia do nível de preconceito, o umbandista mandou um pai-de-santo benzer a editora no dia seguinte à minha saída…
para limpar os “maus fluídos” que eu tinha deixado no loca.

 Âsa: Se já sofri algum preconceito, foi tão velado que não consegui perceber. Mas eu acho que posso ter perdido alunos por causa disso, só não ficou claro.

Marcelo: Se o “escolha” é colocada como “preferência”, eu já afirmo que não preferí ser ateu, isso foi algo muito natural. E nesta condição, de ateu, eu já sofri discriminações em colégio e uma ameaça física. Algo tão estúpido quanto uma discussão na estrada.

7 – Sobre a laicidade do Brasil: Existe, na prática, um país laico?
Vides: Não acredito nisso. Na constituição tudo soa bonitinho demais, mas a verdade é mais crua. Igrejas não pagam impostos, enquanto museus sim; igrejas podem derrubar leis do silêncio, podem influenciar em decisões políticas e sociais. Se o Brasil fosse mesmo um país laico NA PRÁTICA, não teríamos tantos problemas com preconceitos oriundos da religião.

Âsa: – Não, o Brasil na prática não é um país laico. Depois do acordo Brasil-Vaticano, isso ficou ainda mais evidente.

Marcelo: – O Brasil sequer sonha em ser laico efetivamente e já tem brasileiro tendo pesadelo o crendo como “laicizante”. Há uma diferença sensível nisso. Nosso país tenta, aspira, a laicidade, mas não, ele não é.

8 – Como você divulga o ateísmo?
 Vides: Tenho uma série de vídeos no Youtube intitulada “Um Ateu de Mau Humor” com mais de cem mil visitas. Além disso, sou bastante participativo nos principais círculos ateístas nacionais, de forma a ficar sempre por dentro dos acontecimentos referentes ao assunto, divulgando-os o máximo possível para outros ateus, quando possível.

Âsa: Assumindo o fato de ser atéia publicamente, principalmente no Orkut, e mais recentemente através de videos e um blog.

Marcelo: Através da UNA, também do Orkut, e espero que até o final do ano já tenha colocado no ar um site sobre ateísmo com material, senão inédito, ao menos pouquíssimo conhecido pelos leitores brasileiros.

9 – Qual a relação família/trabalho com a sua corrente filosófica (ateísmo)?
Vides: Minha família me apoia, a despeito de todos serem teístas/deístas. Já meu trabalho como jornalista em pouco influencia na minha ideologia ateísta (e vice-versa), mas confesso que eu seria mais feliz profissionalmente se pudesse produzir apenas trabalhos referentes ao ateísmo. Afinal… quem não quer ser um Richard Dawkins Tupiniquim?

Âsa: Na minha família quase todos os membros mais próximos são ateus, então é tranquilo. No trabalho eu não menciono o assunto porque não cabe (sou professora particular de idiomas), mas se alguém me pergunta eu respondo honestamente o que penso.

Marcelo: No início a relação com a família não foi tão simples, porque como havia dito, eu passei a assumir meu ateísmo com 17. As conversas foram suficientes para eu merecer o respeito de cada um. Quanto ao trabalho, em nenhum sentido fui afetado.

10 – Já freqüentou alguma religião? Qual (is)?
Vides: Fui católico e espírita, frequentei ambas com assiduidade

Âsa: Me batizei depois de adulta na IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil), que é a igreja protestante histórica, não essas neo-evangélicas, e participei durante muitos anos. Mas era mais para “pertencer ao clube” como dizia o meu marido.

Marcelo: Ainda que tenha convivido muito com religiosos, e tenha uma franca sensibilidade para compreendê-los, eu não posso dizer que já fui alguém crédulo, em qualquer designação religiosa. Na catequese fui expulso por “perguntar demais”, por parte católica, na protestante, no colégio, não era bem quisto pelo mesmo motivo. Nunca sentí nenhuma falta de ser arrebanhado.

11 – Religiões: Uma necessidade histórica ou um peso no desenvolvimento humano?
Vides: Sem dúvida um peso no desenvolvimento humano. Pense em quantos avanços teríamos alcançado se não tivéssemos tido as rédeas da religião atrasando nossa história. Onde estaríamos hoje se não tivéssemos sofrido com a Inquisição ou as Cruzadas? A religião é uma pedra amarrada na cintura da Humanidade. Queremos andar adiante, mas ela pesa, e nos atrasa….
Acredito que, se não fosse a religião, já teríamos alcançado a cura do câncer. Já teríamos desembarcado em Marte. Já teríamos uma vida muito mais longa e próspera do que a que temos hoje.

– Âsa: É muito difícil dizer, porque não sabemos como teria sido se não tivesse havido religiões. Mas a religiosidade já teve utilidade em alguns contextos, embora na maioria das vezes tenha sido usado para abusar do poder.

Marcelo: É difícil imaginar alguém sério dizendo que as religiões não serviram nunca para nada que fosse benéfico às sociedades. Elas tiveram sim seu papel e ainda hoje têm. Mas poderíamos, ou não, estar melhores sem ela. Imaginemos que o Iluminismo tenha sido bem sucedido. Poderíamos ver mais países como a França, ou, os mais decadentes do período comunista soviético. Não apostaria no progresso “com
ou sem” as religiões. O que teríamos seria um catálogo menor de atrocidades na história, mas a que preço? Depende do quanto você acredita ou não no homem como ser ético.

12 – A idéia de inferno: O que esse fantasma local é para a mente de um cristão, em sua opinião?
Vides: É a moeda de troca da religião cristã. Sem a ameaça do Inferno o cristianismo jamais teria chegado aonde chegou. É graças à doutrina do inferno que o cristianismo consegue cada dia mais adeptos. Tire-se o Inferno e teríamos muito cristão matando e roubando. Eles só não o fazem porque temem o inferno (que é eterno e muito, muito doloroso).

Âsa: Existe gente que acredita em deus sem acreditar no inferno. Mas para aqueles que acreditam é o que os mantém aprisionados e sem condições de questionar, porque a mera dúvida já é um pecado terrível.

Marcelo: Somente pessoa muito limitadas intelectualmente levariam a sério uma ideia como a do inferno. Esta ameaça estúpida nunca impediu ninguém de cometer crimes.

13 – Albert Eistein: Um cristão? Um judeu? Um deista ou um ateu?
Vides: Um ateu, certamente. Essa historinha de que ele era teísta é uma grande falácia usada pelos crentes para arrebanhar para seu lado filosófico uma das maiores personalidades que o ateísmo tem em si. Quem já leu a biografia de Einstein sabe que ele morreu ateu.

Âsa: Muito provavelmente um judeu ateu, mas não acho que isso seja muito importante.

Marcelo: É difícil responder com exatidão. Mas ao que tudo indica, era ateu (por mais que levantem dizendo que se tratava de um crédulo no sentido spinoziano).

14 – Muitos ateus usam muito o nome de Richard Dawkins. Para você, ele merece tanto mérito? Por que?
Vides: Richard Dawkins é a nova celebridade do ateísmo. Lembro que essa posição antes pertencia a Carl Sagan, a despeito dele não ser um militante do ateísmo, mas da ciência. De qualquer forma, existiriam ateus militantes com ou sem o Dawkins. Mas é inegável que ele trouxe um bem soberbo para o ateísmo mundial. Por isso, sim, ele merece todo crédito dos ateus.

Âsa: O Richard Dawkins tem a coragem de vir a público e questionar um monte de coisas. Ele merece respeito por isso, mesmo que a gente não concorde com tudo que ele diz. E a contribuição dele no campo da biologia é muito relevante.

Marcelo: Eu não me sinto devedor de nada quanto a Richard Dawkins. Entretanto não tiro o seu mérito de ter feito com que muitas pessoas refletissem sobre assuntos antes tão tabus. É um grande cientista, mas no que diz respeito a assuntos de cunho filosófico, não me acrescentou em nada.

15 – Você acredita que o motivo da nossa “lentidão” intelectual em massa é devido a fé?
 – Vides: a fé contribui muito para isso. É possível enxergar esse fato através dos crentes que negam veementemente a ciência em favor da religião. Por incrível que pareça, a maioria das pessoas ainda acredita que deus tem um papel fundamental na criação do Univeros e do Homem. Sem a religião, a ciência teria avançado muito mais.

Âsa: A mentalidade religiosa sem dúvida atrapalha o desenvolvimento, porque as pessoas são educadas para não questionar. Isso faz com que não se questione nenhuma autoridade, inclusive na política. Esse é um dos fatores que perpetua a corrupção.

Marcelo: A fé é uma das ferrugens do esclarecimento, da lucidez, em diversos assuntos importantíssimos para a humanidade pensante. Estou longe de querer colocar a razão no altar, mas a fé é algo estúpido e que tem um preço muito caro. Você disse “massa”, aceitando este termo, sim, ela tem seu efeito colateral sério. E penso que isso tende a ser uma constante.

16 – A existência de Jesus Cristo é aceita por alguns ateus. Você acredita que ele tenha existido?
Vides: Não acredito. Jesus é um mito copiado e inteligentemente maquiado para parecer sobrenatural, desde o “desaparecimento” das evidências físicas de seu corpo, até de sua família e amigos. Jesus provavelmente é um mito criado e que foi bem elaborado até o surgimento da ciência moderna, que trouxe muitos questionamentos a respeito dele.

Âsa: Não, não acredito que tenha existido sequer como pessoa comum.

Marcelo: Não me importa saber se existiu um homem chamado Hamlet do mesmo modo que o tal Jesus também não me interessa. O relevante é o que disseram sobre sua figura, e o que isso causou na história. Existiam tantos judeus, feiticeiros, e até filósofos que “ressuscitaram”, de acordo com algumas fontes, se um se chamava Jesus francamente não me interessa.

17 – O design inteligente (D.I.) usa de grande parte da idéia evolucionista proposta por Darwin. Qual o seu conceito sobre o D.I.?
Vides: O DI é uma piada de mau gosto. E tem ficado cada vez mais sem graça, quanto mais os teístas abusam da física quântica para mascarar suas inverdades. eles se aproveitam das ciências complexas para iludir e enganar as pessoas.

Âsa: DI é criacionismo com “outra roupa”

Marcelo: Para manter uma mentira é mesmo necessário que se invente outras. O chamado “design inteligente” foi inventado, veja só, por burros.

18 – Entre ateus e teistas há uma disputa ideológica constante. Você acredita que ateus e teístas podem se dar bem juntos, apesar de tamanha contradição ideológica?
Vides: Acredito que sim. Pelo menos sou um grande crítico de quem pensa ao contrário disso. O problema é que essa harmonia ainda vai demorar muito a chegar. Ainda existe muito obscurantismo por parte dos teístas que nos associam ao mal, e muita intransigência por parte dos ateus revoltadinhos que querem explodir igrejas.

Âsa: Se houver respeito de ambas as partes, o convívio é possível. E se houver uma noção clara de que a religião não pode invadir a esfera das políticas públicas.

Marcelo: Tolerância é possível, indubitavelmente. Ainda estou para ver um ateu virando terrorista, ao contrário de tantos exemplos no mundo religioso, mas nem todos são estúpidos a esse ponto. Um país sem conflitos ideológicos é um país sem ninguém.

19 – A morte é algo inevitável e que os cristãos se confortam usando a ressurreição. Como você encara a morte?
Vides: Normalmente: estive morto por bilhões de anos antes de nascer e isso não foi nem um pouco inconveniente para mim

Âsa: A morte faz parte do ciclo da vida. Não é uma idéia agradável, e sentimos muita falta das pessoas que m orrem, mas temos que aceitar os fatos. Pessoalmente não tenho medo da não-existência, embora deseje viver tanto tempo quanto possível

Marcelo: Querer viver pra sempre é egoísmo demais. A morte é uma aposentadoria. Eu reconheço que é difícil de encará-la normalmente, mas falando por mim, não a entendo como algo terrível, censurável, enfim, como um tabu. A finitude está longe de ser uma maldição. Tão natural quanto o nascimento é o seu término. Exigir sentido é perguntar para a pedra porque 2 + 2 é 4.

20 – O blog Ateu Ativo recebe visitas e comentários de várias massas de ideologias diferentes, entre elas, ateus, cristãos, deistas, agnósticos e muito mais. Qual a mensagem que você deixa para os leitores e visitantes do ATEU ATIVO?
Vides: Acreditem ou não acreditem no que vocês quiserem. Mas, acima de tudo, tenham respeito por todos e não façam com os outros o que você não quer que façam a você mesmo.

Âsa: Ser ateu/atéia não é uma escolha, mas uma conclusão a que se chega. Eu não conseguiria voltar a acreditar mesmo que quisesse. Aceito que existem pessoas que nunca vão conseguir deixar de acreditar, a única coisa que eu não admito é me apontem o dedo e digam que vou para o inferno por não pensar como eles. Aos que acreditam, um conselho: não se deixem explorar por outras pessoas, por mais “santos” que pareçam.

Marcelo: Talvez vocês entendam o ateísmo como uma radicalidade desnecessária no campo das ideias. Se qualquer crença lhe apraz, francamente é um direito seu, e poucos serão os infelizes que tentarão calá-los. Mas se posso dar só um conselho para os teístas aí vai: mantenham seu dinheiro no bolso e seu cérebro funcionando, independente do que pastores, padres, mulás e semelhantes lhe disserem. E
fiquem com ateus. (risos)

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E aqui encerra a primeira entrevista do Ateu Ativo. Novamente, agradeço a Vides, Âsa e Marcelo, que nos prestigiaram com esta entrevista. Saibam que vocês já são ícones do ateismo brasileiro e que o trabalho de garra de vocês não é em vão. Parabéns pelos seus respectivos trabalhos!

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